Durante o Outubro Rosa, falamos de prevenção, rastreio e diagnóstico precoce. Mas existe uma parte do percurso que nem sempre recebe a mesma atenção… A recuperação!
Depois de uma cirurgia da mama, o corpo continua a adaptar-se. A mobilidade, a cicatriz, o sistema linfático e a própria confiança no movimento vão precisar de acompanhamento.
O Outubro Rosa é o mês dedicado à sensibilização para o cancro da mama.
Em Portugal, a Liga Portuguesa Contra o Cancro assinala-o todos os anos com informação sobre prevenção e diagnóstico, incluindo também a reabilitação após o cancro da mama que nos diz, particularmente, respeito.
O rastreio e o diagnóstico precoce são fundamentais. Mas, para muitas mulheres, o que vem depois é igualmente importante.
O tratamento de uma doença oncológica não fica concluído, necessariamente, quando termina a intervenção. Em muitos casos, começa aqui uma nova fase, na qual o corpo precisa de tempo e acompanhamento especializado.
O objetivo não é apenas ultrapassar uma cicatriz ou um edema. É reaver a função, mobilidade, conforto e controlar a forma como os tecidos se vão adaptando, ao longo do processo.
Dependendo da operação realizada (mama e/ou região axilar) e de cada pessoa, podem surgir várias alterações. Estas são as que ouvimos com mais frequência.
Numa fase pós-cirúrgica, é frequente existir rigidez, desconforto ou limitação dos movimentos do braço e do ombro. Coisas simples como pentear o cabelo, vestir uma camisola, ou pegar em objetos fica difícil. O exercício terapêutico e a mobilização progressiva vão ajudar a restabelecer a amplitude e a funcionalidade.
A cicatrização pode alterar a elasticidade e a flexibilidade dos tecidos. A sensação de repuxamento ou tensão na zona operada é comum.
Muito provavelmente, trata-se da chamada síndrome da rede axilar. Caracteriza-se pelo aparecimento de uma estrutura semelhante a um cordão, geralmente na axila, que pode prolongar-se pelo braço. Provoca desconforto e limita o movimento do ombro. É uma das várias situações onde a fisioterapia vai ser útil.
Algumas mulheres notam inchaço no braço ou na mão. Outras sentem repuxamento, tensão ou alterações da sensibilidade na região afetada. Todas estas queixas fazem parte do período pós-operatório. Aqui, a avaliação fisioterapêutica ajuda a identificar e a assistir em cada fase específica.
A fisioterapia pode integrar este processo, mas sempre em articulação com a equipa do tratamento oncológico. Na prática, pode contribuir para:
As recomendações clínicas destacam, em particular, a importância do movimento e do exercício progressivo após a cirurgia da mama. Cada mulher deve ser avaliada individualmente para que o acompanhamento seja ajustado às suas necessidades.
Trata-se de uma questão para além da estética. A intervenção sobre a cicatriz tem de ser feita no momento certo, de acordo com o estado de cicatrização e as indicações médicas. O objetivo é melhorar a mobilidade dos tecidos e o conforto.
É a acumulação de líquido nos tecidos, que pode surgir após um procedimento ou tratamento dos gânglios linfáticos. Costuma manifestar-se no braço, na mão ou na zona da mama e do tronco. Por vezes, com sensação de peso ou de aperto.
Não acontece em todos os cenários, mas é importante estar atento. Perante qualquer sinal de inchaço, o ideal é falar com a equipa médica e pedir avaliação o mais cedo possível.
Atenção! Não existe um momento exato para todas as mulheres.
Deve respeitar o tipo de cirurgia, a cicatrização, a presença de drenos ou suturas, os processos complementares e todo o acompanhamento. Tanto pode começar precocemente, como também determinadas técnicas e exercícios ficam pendentes de uma etapa específica.
Fundamental é fazer uma avaliação individual.
Passar por um método oncológico envolve muito mais do que ultrapassar a ferida cirúrgica. Voltar a usar o corpo com confiança, monitorizar as alterações dos tecidos e identificar possíveis complicações faz parte de uma recuperação correta e mais completa.
É importante reforçar que a fisioterapia não substitui o trabalho médico e tem que ser realizada em articulação com a equipa responsável pelo tratamento oncológico. Qualquer intervenção no período pós-operatório deve respeitar as indicações do cirurgião e o estado clínico da paciente.

Na MJ Clinic, não é necessário existir uma cirurgia ou uma condição instalada para iniciar cuidados. A nossa filosofia baseia-se na valorização do corpo ao longo de todo o ano, promovendo equilíbrio, funcionalidade e confiança.